sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ENQUANTO ELES TRABALHAM; ELAS PASSEIAM




Terça-feira à tarde, e nós tomando cerveja em um lindo barzinho da praia. E acreditem, escutando música popular brasileira. Eu estou mesmo no paraíso!
*Dispensa maiores textos. Ficam apenas as fotos da Irma e minha também, para registrar a beleza de mais um dia ensolarado do verão mexicano.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

COMIDA TÍPICA






“Tortilla” com alguma coisa dentro, vira “Taco”. “Tortillas” são feitas de “harina” ou de “maíz”. “Harina” quer dizer de farinha de trigo e “maíz” de farinha de milho. O sabor de uma e de outra, é completamente diferente, mas ambas são boas. Com churrasco, se come as “tortillas de harina”. As “quesadillas”, “tortillas” recheadas com queijo, também são as de “harina”. Meus tacos preferidos são: “al pastor” – “tortilla” recheada com carne de porco, cebola, abacaxi e “cilantro”. (“Cilantro”, eu acho que é coentro. Não tenho certeza, mas se “cilantro” for um tempero que tem uma folha muito parecida com a salsa, é isso.) Aqui se usa muito “cilantro”. É o tempero base para tudo. Também me encanta o taco de “Barbacoa”, que é feito da carne da cabeça de algum animal. Geralmente, aqui no norte do México, é feito da carne da cabeça do carneiro.
Bem, os “tacos” são “tortillas” dobradas, tipo pastel, e consumidas com as mãos.
Além dos tacos, eu adoro o “guacamole” (abacate esmagado com cebola e tomate picados, temperado com sal e limão). Também se come “frijoles”, algo parecido com tutu de feijão. Pode ser preto ou marrom. Ainda tem o “Tamal”, tipo uma pamonha, feito de farinha de milho, mas embrulhado na folha de banana e não na de milho como no Brasil.
Os “ostiones”, também são uma especialidade mexicana. Sobre estes, já falei aqui que o Rina adora. Provei uns gratinados com queijo. Bem melhores que os “naturais”, que não passam de crus mesmo. E não posso deixar de falar do “mole”. Ahhh, o mole. Está no filme da Frida. Picante, porém saboroso. Cheira a México.... Tem cor de México.... Sabor de México.
Tudo é servido com guarnição de molhos apimentados. Fica no gosto de cada um usar os “molinhos”, ou não.
Realmente se come muito bem no México. Ainda bem que com alimentos, eu não tenho trauma algum. Bom, até que eu queria ter algum trauma, assim não estaria tão gordinha....rsssss

* Na foto do “taco al pastor”, sem cilantro, a tortilla mais branquina é a de harina e a mais amarelinha, de maíz.
* A “saladinha” de cenoura, cebola e pepino, é pura pimenta....arde até os pensamentos.
* O prato completo, chama-se “Carne a tampiqueña”. Nele, podem-se ver os “frijoles” e o abacate, que é um dos alimentos base por aqui. (Olha as “tortillas” para acompanhar, é como o pão no Brasil; cai bem com qualquer comida.)
* É claro que algumas vezes nós comemos umas coisas menos estranhas. Olha que delícia de camarões... hummm Esses são do meu restaurante preferido. O Chinês.

MAIS UMA CASA NOVA






Traumas existem para serem superados! Eu tenho trauma de mudanças. Até análise eu já fiz para me livrar disso. Melhorei, tanto é que tive coragem de largar minha vidinha completamente estável e vir para cá, mas não curei. De qualquer forma a vida é sábia. (Deus é vida. Deus é sábio.) E as cicatrizes que a vida te dá, ela mesma se encarrega de curar. Ás vezes os caminhos são tortos. Quase sempre, para nós, simples humanos, é difícil compreender o porquê das coisas. Mas no final, quando estamos abertos, tudo acaba bem, todas as dores são sanadas e a tempestade acaba se transformando em um lindo arco-íris.
Pois é, tudo isso para contar que nós nos mudamos outra vez. Estamos agora em um apartamento. Parece bem seguro. É amplo, moderno e confortável. Não gosto muito de apartamentos, prefiro as casas. Mas estou aprendendo que gostar disso, não gostar daquilo, é tudo frescura. A vida é como é, e nós devemos viver cada momento, cada espaço, cada situação, com tudo de positivo que pudermos encontrar. E eu garanto, sempre existem coisas positivas.
A cada casa que vamos, procuramos emprestar um pouco da nossa “cara” para ela. (olha a foto no porta-retrato aqui na sala)
Mas o pior de tudo, é que eu ainda me apego aos lugares. E com certeza ainda vou sentir saudades deste lugar.

* Estamos mais longe da escola de inglês. As opções de transporte são: ônibus (não são de uma empresa, qualquer um compra um ônibus e põe na rua “uns cacos” rsssss); táxi (a 30 pesos cada corrida) e o taxi coletivo (vai entrando passageiro enquanto couber, 6 pesos). Eu prefiro o táxi coletivo “táxi de paradas contínuas”, gasto 12 pesos por dia e os 48 que economizo, gasto em bobagens....

sábado, 31 de julho de 2010

PENSANDO EM ENSINO-APRENDIZAGEM


Meu trabalho era ensinar língua espanhola para falantes de língua portuguesa. Exercendo essa função, pude observar e avaliar os pontos mais difíceis neste processo de aprendizagem. Posso afirmar que o mais difícil para os brasileiros nesta construção é, sem sombra de dúvidas, a gramática da língua espanhola. Além disso, o vocabulário é extenso e exige do estudante boa memorização. Em compensação a competência oral pode ser adquirida com certa facilidade, baseado em que a língua portuguesa compreende todos os sons existentes na língua espanhola.

MUDANDO DE LADO

Agora meu trabalho é ensinar língua portuguesa para falantes de língua espanhola. Pouco se acrescenta coisas à gramática deles, antes pelo contrário, muito se tira. Ou seja, não existem muitas regras novas para inserir no processo de linguagem que eles têm construído. Na verdade, eu poderia dizer que o processo é de “desconstrução”.
Quanto à apropriação do vocabulário, o desenvolvimento também é facilitado. A língua espanhola usa muitíssimas palavras da língua “culta; ou formal; ou antiga; ou erudita” portuguesa, no seu cotidiano.
O difícil mesmo, fica por conta da oralidade. São vários os sons da língua portuguesa, que simplesmente não existem no espanhol.

De qualquer forma, sigo fascinada pelo desejo inato do ser humano em apreender.

*** Já estou pensando em fazer uma especialização em fonética.
*** Será que existe alguém no mundo que tenha que estudar mais do que uma pessoa que tem como função de vida o ensinar...???

- foto do site: http://www.fotosearch.com.br/tongro-image-stock/imagens-de-livros/TGR345/

TEMPO ÚTIL






Não consegui escrever quase nada para o blog neste mês, porque tudo ficou “meio fora do lugar” na nossa vida, depois da mudança forçada. Mas algumas coisas eu tive que manter.
Sigo no curso de inglês, com aulas diárias. Acabo de concluir o curso 3 (de um total de 4 do nível básico), mas continuo achando o inglês a coisa mais difícil do mundo. Com muito esforço, consegui passar com média 9,4 no curso 1 e com 9,3 no curso 2. Com o dobro de esforço e dedicação, obtive média 8 no curso 3. Mas prometo que vou estudar ainda mais, durante o curso 4.(vejam umas fotos da escola e do grupo)
Além de frequentar as aulas de idiomas, sigo dando aulas de Língua Portuguesa. Sou mesmo uma pessoa privilegiada, trabalho no que eu amo e ainda sou bem paga. Tenho 5 alunos. Um deles, tem apenas 16 anos. Ele vai fazer um intercâmbio no Brasil. Vai para o Mato Grosso em agosto. Lembra muito os meus alunos brasileiros. Parece que está sempre voando nas aulas, mas pega tudo no ar....rsssss Uma graça de menino.
Um outro aluno é um sacerdote católico. Vai para Curitiba em breve.
Tem também um casal que adora idiomas. São meus colegas no inglês e alunos no português. Estes, vão se casar. Pensam em conhecer o Brasil, juntos, mas o motivo de freqüentarem as aulas é que os dois são químicos e trabalham com muitos estrangeiros no ramo petroleiro.
Ainda tem a Irma. A Irma já é uma amiga. Tem fotos dela no blog. Casada com um chileno que já morou no Brasil e fala português. Ela sempre quis aprender português e agora está feliz da vida com as aulas.
Bem, mas a vida não é só trabalhar e estudar. Então, coloco também umas fotos da praia para relaxar. rsssss

CASA NOVA






Era sábado à tarde, eu estava no quarto escrevendo para o blog e o Rina estava trabalhando, quando a campainha tocou. Olhei para o relógio, eram umas três e meia da tarde e resolvi não atender a porta. Primeiro porque não estava esperando ninguém e segundo porque eu ainda estava de camisola. Subi, lavei umas roupas e voltei para o quarto suando. Pensei em tomar banho, mas algo me chamou a atenção na TV, então liguei o ar-condicionado, fechei a porta e ali fiquei.
O Rina está trabalhando até as 16:30 aos sábados, mas neste dia resolveu sair da fábrica as 16:00 e veio para casa. Conversamos um pouco ali no quarto, e acabamos cada um ligando seu computador. Ficamos deitados, ambos com seus PCs no colo, conversando, digitando, ouvindo a TV. Fazia uns 20 min que ele estava em casa quando a porta do quarto se abriu com força. Eu disse a ele que era o vento, ao que ele respondeu: - Que vento? (a temperatura estava em torno de 40 graus, nem uma folha de árvore se movia na cidade) E antes que eu pudesse me dar conta disso, um homem entrou no quarto. O Rina colocou o pc sobre a cama e se levantou de supetão, perguntando ao homem: - Que tu estás fazendo dentro da minha casa? - E o tipo respondeu – “Estoy buscando el licenciado”. – E o Rina – Que licenciado o quê?! Como tu vais entrando assim na minha casa? – E nisso o sujeito deu uns dois passos para trás, porque o Rina já estava junto a ele, e eu a essas alturas já estava em pé, então o Rina pode fechar a porta e trancá-la.
O Rina começou a falar bem alto: - Dani, liga para a polícia. - Mas há dois dias não havia linha telefônica, por causa do furacão Alex que havia passado por perto da cidade.
Então o Rina começou a usar o rádio e conseguiu avisar o Santana. O rádio é um “bichinho” barulhento, e nós seguimos ali trancados no quarto, mas fazendo tumulto. O Santana disse que estava vindo da fábrica, mas que ainda levaria 10 minutos chegar até a nossa casa. - E vejam bem, era para o Rina estar vindo no mesmo horário. –
Quando o Santana chegou, eu estava com as mãos tremendo. O Rina, já estava achando que havia esquecido a porta de entrada aberta, até porque o Santana estava falando pelo rádio, que estava entrando. Enquanto o Rina checava o andar de cima, o Santana checava o de baixo e não encontraram mais ninguém em casa.
O tipo havia arrombado a janela da cozinha, que fica para os fundos da casa. Andou por toda a casa, abriu todas as portas e verificou todos os armários. O último lugar que ele entrou, foi no nosso quarto. Nunca vamos saber se ele pensava que não tinha ninguém; ou se ele pensava que eu estivesse sozinha. Afinal, havia barulho de TV e ar-condicionado, ligados no quarto.
E agora vocês podem estar perguntando: Mas afinal, o que o ladrão roubou? E eu respondo. – De material, não levou absolutamente nada; mas levou a nossa tranqüilidade. Levou a nossa alegria de estar naquela casa. Levou a nossa impressão equivocada, de que essas coisas não aconteciam por aqui.
Resultado: Tivemos que ir para um hotel. E essas são as fotos da “nova casa”.
*PS: Não tivemos nem tempo de nos despedirmos das “ardillas”. As pobrezinhas devem estar sem entenderem o porquê do abandono até agora.

terça-feira, 13 de julho de 2010

FRIDA KAHLO – UMA PAIXÃO






Acho que como todo o ser humano, que seja verdadeiramente humano é claro, eu tenho algumas paixões na vida. Algumas delas são as minhas filhas, o meu Rina, a minha mãe, o ensino, o aprender, o meu Deus, etc, etc, e a Frida Kahlo (não necessariamente nesta ordem).
Quando começamos a falar sobre a vinda para o México, eu logo falei para o Rina sobre o meu desejo de conhecer a casa que a Frida nasceu, a mesma que hoje é o museu Frida Kahlo. O Rina falou que com todo o prazer me levaria, e ele cumpriu a promessa. Quem me conhece sabe que eu poderia passar horas dissertando sobre a vida da Frida, mas não pretendo fazer isso aqui. Para quem não conhece essa pintora espetacular e apaixonante, fica aqui a dica do filme, que leva o mesmo nome da artista. E para quem já conhece essa história de vida, repleta de dor e amor, eu quero dizer que entrar na casa onde ela nasceu, viveu e morreu, provoca sensações desconhecidas e indescritíveis.
A primeira visão da casa, fez o meu coração acelerar. Eu quase não podia acreditar que realmente estava prestes a entrar ali. Mas aconteceu, e como já disse, não é possível descrever os sentimentos. Existem detalhes naquele lugar, que eu desconhecia. Pode-se contemplar a cadeira de rodas que ela usou, a perna mecânica como o seu sapato, escritos (tanto dela; quanto dele) pelas paredes, gessos repletos de borboletas coloridas (como se vê no filme), a almofada bordada, os livros do casal, a cama com o espelho (na qual ela começou a pintar)... e finalmente a urna mortuária que guarda as cinzas da pintora, em forma de sapo.
Na verdade, poucas obras da Frida estão ali, mas a presença dela parece mesmo estar no ar. Existem aposentos, repletos de obras do Diego Rivera (importante muralista mexicano, marido da Frida), ainda que as mais relevantes estejam no seu próprio museu.
No bairro de Coyoacán se conta uma “lenda”. Dizem que o casal fez um pacto de nunca deixar esta casa, na qual foram tão felizes. Então transferiram suas almas para um casal de gatos que vivia ali e até hoje nas noites mais belas, pode-se escutar os miados. Algumas vezes parece que os gatos mantêm longas conversas; outras vezes parece mesmo que namoram apaixonadamente, como o faziam Frida e Diego. Infelizmente eu não vi os gatos, bem que eu queria...
Ah, o Diego deixou registrado em testamento, o desejo de ser cremado. Queria que suas cinzas fossem colocadas em uma urna, ao lado das cinzas da Frida na Casa Azul. Porém, seu desejo não foi cumprido, porque ele se casou outra vez e a sua mulher não quis. (essas mulheres....)
Não se pode fotografar o interior da casa, mas tudo o que foi possível registrar, eu coloco a disposição de quem quiser ver. Aqui deixo apenas algumas fotos para dar água na boca de quem é apaixonado pela Frida, como eu.